Foi inaugurada em Fortaleza, em 14 de fevereiro, a “EXPOSIÇÃO PIONEIROS & EMPREENDEDORES”, levando ao Nordeste o que já havia sido apresentado no Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro um ano antes. É bastante feliz a ideia de levar esta exposição por todo o país e, por isso mesmo, acreditamos que em Fortaleza ela terá sucesso igual ou maior do que teve no Rio de Janeiro.
No evento que antecedeu a inauguração da Exposição, um dos temas tratados foi EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA e fomos convidados pelo Prof. Jacques Marcovitch, curador da Exposição para tratar desse tema de uma maneira sucinta.
Assim, pudemos inicialmente mostrar o que se almeja obter através da educação empreendedora. Apresentamos os seguintes aspectos:
a. Despertar no aluno sua vertente empreendedora – toda pessoa tem esse lado, que muitas vezes não se manifesta por falta de motivação ou oportunidade;
b. Mostrar a possibilidade de realizar sonhos através de uma atitude proativa e empreendedora;
c. Discutir a realização individual, contextualizando o sonho, a vontade, a recompensa, o dinheiro e a necessidade buscando balancear estes fatores;
d. Tratar da necessidade de instrumentalizar o empreendedor: como planejar, criar cenários e explorá-los, estruturar a realização de um sonho, acompanhar um projeto, como fazer um plano B;
e. Tirar o medo de errar do empreendedor, mostrando que isso é um fato normal, que se deve planejar para reduzir riscos e buscar as lições nos acontecimentos. Errar é parte do caminho.
Em seguida, abordamos alguns exemplos de como as escolas e universidades promovem a cultura do empreendedorismo. Iniciamos por lembrar que o ensino de empreendedorismo começou no Brasil num momento difícil. Havíamos passado pelos fracassos da economia brasileira dos anos 80 (1980), que conduziram a percepção de que o empreendedorismo seria uma boa opção para mudar os rumos. Timidamente se iniciou esse ensino, com alguns conceitos e interesse em apoiar a trajetória de alguns jovens empreendedores que desejavam abrir seus negócios durante ou após a conclusão de seu curso superior.
Mas, esse movimento andou depressa e já no final do século XX, a partir de 1995 começaram a aparecer cursos nas universidades e um movimento para a criação de incubadoras de empresas nas Universidades. Em 2003, uma pesquisa do SEBRAE e do IEL – Instituto Euvaldo Lodi (ligado à CNI), compreendendo 58 IES (Instituições de Ensino Superior) públicas e 78 privadas, constatava que 69% ofereciam algum tipo de ensino de empreendedorismo, de um modo geral inserido em programas de cursos de Administração, Contabilidade, Tecnologia de Informação e Engenharia. Muitas vezes eram tópicos de disciplinas que tratavam do assunto;
Sete anos depois, em 2010, pesquisas de Guerra e Grazziotin, feitas através dos portais da IES mostraram que das 115 IES publicas consultadas, 32% ofereciam disciplinas de ensino de empreendedorismo, e de 410 IES privadas, 11,5% tinham esses cursos.
A distribuição dessas disciplinas abrangia muitas outras áreas não levantadas na pesquisa de 2003, como Comunicação Social, Turismo, Educação Física, Fonoaudiologia, e outras. Cerca de metade das ofertas estão fora de cursos de Administração.
Hoje em dia, sabemos que quase todas as universidades oferecem a seus alunos, com algumas restrições, pelo menos uma disciplina de empreendedorismo, para que o aluno tenha conhecimento do que se trata, como funciona e enfim, os pontos básicos para que o aluno possa buscar os meios para planejar e desenvolver seus futuros projetos empreendedores.
Entretanto, poucas instituições de ensino apresentam programas de educação empreendedora que sejam mais aprofundados: além das disciplinas que constituem seu programa é necessário que a instituição ofereça a possibilidade de incubar empresas nascentes, criadas pelos alunos e proporcionar um ambiente que estimule as trocas de experiências entre os empreendedores e o contato entre estes e os investidores.
É difícil citar quais as universidades que tem um programa de educação empreendedora sem esquecer algumas importantes, mas as principais que mencionamos foram: Universidade Federal de Pernambuco com o CESAR e o Porto Digital; Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro com o Instituto Genesis; Universidade Federal do Rio de Janeiro com as suas incubadoras Biorio e a da Coppe e o parque tecnológico do Fundão; Fundação Getulio Vargas em São Paulo com um exemplar Centro de Empreendedorismo; SENAC, com um programa que está produzindo resultados muito interessantes; Universidade Federal de Santa Catarina, com sua incubadora Celta em evolução para se constituir em excelente parque tecnológico; Universidade Católica do Rio Grande do Sul, com seu parque TECNOPUC; Universidade de São Paulo com a incubadora CRIATEC.
Na próxima semana continuaremos a tratar desse tema.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
sábado, 18 de fevereiro de 2012
Planejamento carnavalesco
Quando eu disse para um amigo que eu ia escrever o blog de hoje, ele falou: mas nem no Carnaval você dá folga nesse blog! Ele tinha razão, eu até pensei em não publicar nada esta semana...
Só que meu tema de hoje tem ligação com o Carnaval. O meu exemplo preferido de boa gerência de projetos é a preparação do desfile de uma escola de samba. Notem que este trabalho tem todas as características formais de um projeto – planejamento prévio, prazo definido (o dia do desfile), organização estruturada (comissão de frente, alas, bateria, fantasias, destaques...), orçamento, patrocínios, cuidados ambientais e jurídicos (não pode ofender religiões, opções sexuais, políticos, honras, direitos autorais), bailes para treinos e arrecadação de recursos e tantas outras atividades que deixarei que o leitor solte sua imaginação para fazer essa lista.
Como é possível articular tantos aspectos, tarefas e especialidades diferentes sem usar planilhas, um PERT, um cronograma ou algum recurso de apoio que ajude a reduzir riscos ou a tornar mais viável o cumprimento de prazos e orçamentos?
Este é o ponto que me faz refletir todo Carnaval e sempre saio cada vez mais encantado com os de desfiles. Mas, sem descobrir como projetos, que a cada ano se tornam mais complexos, possam ser feitos sem nenhuma metodologia explícita ou auxilio de tecnologia de gestão.
O lado positivo é que fica o desafio aos nossos gerentes de projeto: se os desfiles das escolas de samba são mais excepcionais com o passar do tempo, como podemos justificar os atrasos nas obras e em todas as implantações necessárias para eventos que terão enorme interesse nacional? Dizem que, no caso dos desfiles de escolas de samba, trabalha-se com coração, todos estão envolvidos e se sentem realmente responsáveis pelo resultado. Porque não poderia ser assim nos demais projetos? Será que os nossos gerentes de projeto estão considerando a importância de manter suas equipes motivadas e suficientemente informadas sobre os objetivos a serem atingidos? Será que os nossos gerentes apenas se contentam em usar os recursos de planejamento e de tecnologia, esquecendo-se dos aspectos motivacionais?
Vejam os desfiles com atenção e, nos intervalos entre as escolas, tentem elaborar o planejamento desses projetos, nem que seja uma maneira de se manter acordado... Mas, não se esqueçam de incluir itens como informar a equipe dos objetivos a serem atingidos e nem de cuidar da motivação do pessoal.
Só que meu tema de hoje tem ligação com o Carnaval. O meu exemplo preferido de boa gerência de projetos é a preparação do desfile de uma escola de samba. Notem que este trabalho tem todas as características formais de um projeto – planejamento prévio, prazo definido (o dia do desfile), organização estruturada (comissão de frente, alas, bateria, fantasias, destaques...), orçamento, patrocínios, cuidados ambientais e jurídicos (não pode ofender religiões, opções sexuais, políticos, honras, direitos autorais), bailes para treinos e arrecadação de recursos e tantas outras atividades que deixarei que o leitor solte sua imaginação para fazer essa lista.
Como é possível articular tantos aspectos, tarefas e especialidades diferentes sem usar planilhas, um PERT, um cronograma ou algum recurso de apoio que ajude a reduzir riscos ou a tornar mais viável o cumprimento de prazos e orçamentos?
Este é o ponto que me faz refletir todo Carnaval e sempre saio cada vez mais encantado com os de desfiles. Mas, sem descobrir como projetos, que a cada ano se tornam mais complexos, possam ser feitos sem nenhuma metodologia explícita ou auxilio de tecnologia de gestão.
O lado positivo é que fica o desafio aos nossos gerentes de projeto: se os desfiles das escolas de samba são mais excepcionais com o passar do tempo, como podemos justificar os atrasos nas obras e em todas as implantações necessárias para eventos que terão enorme interesse nacional? Dizem que, no caso dos desfiles de escolas de samba, trabalha-se com coração, todos estão envolvidos e se sentem realmente responsáveis pelo resultado. Porque não poderia ser assim nos demais projetos? Será que os nossos gerentes de projeto estão considerando a importância de manter suas equipes motivadas e suficientemente informadas sobre os objetivos a serem atingidos? Será que os nossos gerentes apenas se contentam em usar os recursos de planejamento e de tecnologia, esquecendo-se dos aspectos motivacionais?
Vejam os desfiles com atenção e, nos intervalos entre as escolas, tentem elaborar o planejamento desses projetos, nem que seja uma maneira de se manter acordado... Mas, não se esqueçam de incluir itens como informar a equipe dos objetivos a serem atingidos e nem de cuidar da motivação do pessoal.
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Você tem alguma restrição a ser rico?
Meus amigos, se perguntarmos a qualquer pessoa se quer ser rica, creio que a resposta é certamente afirmativa. Mas, ser percebido pelas demais pessoas como milionário tem sido um problema para muita gente, especialmente aqui no Brasil.
Parecer rico carrega algum estigma. Talvez seja porque do conjunto de abonados de nosso país haja muitos que chegaram a essa situação por meio de atitudes reprováveis: exploração de mão-de-obra, pagamento os salários de abaixo do valor de mercado e subtração dos direitos trabalhistas; participação em conluios onde a corrupção predomina; recebimento de heranças sem nenhuma ação de mérito ou de colaboração com a geração da riqueza; enfim, a origem dos bens tem alguma característica que desqualifica seu detentor.
Mas, quando estamos no ambiente empreendedor, é muito provável que a riqueza seja o resultado de muito trabalho, de abertura de vagas para que seus colaboradores possam trabalhar e sustentar suas famílias, de muita competência em planejar e implantar seus projetos, com uma gestão de alta qualidade, tantas vezes resultando em pagamento de impostos que permitiram aos governos fazer seus investimentos em beneficio da população.
Este empreendedor que enriqueceu em consequência de uma sistemática ação positiva e elogiável, deve se orgulhar de ter atingido esta situação. Ser rico neste caso é algo que vem premiar um comportamento correto e persistente, com habilidade e correndo riscos calculados, com um planejamento para contingências adversas bastante bem elaborado.
Nosso empreendedor milionário Eike Batista não cansa de dizer do seu orgulho de ser um dos mais ricos do mundo. Quando faz esta afirmação, não deixa de lembrar que esta situação privilegiada é o resultado da geração de empreendimentos, de produtos importantes para o consumo das pessoas, de empregos, pagando altos impostos, contribuindo com as populações e comunidades na região onde ficam suas empresas.
Proponho que cada um que vive no ambiente do empreendedorismo pare para pensar sobre este tema e busque uma resposta a minha pergunta: entre os empreendedores brasileiros que você conhece, a maioria deles tem um comportamento ético digno ou são pessoas que buscam o enriquecimento sem respeitar os direitos alheios e sem prestar os tributos necessários para a sociedade?
Minha resposta é bastante favorável aos nossos empreendedores e, na educação empreendedora que lhes transmitimos enquanto alunos é marcante a valorização da questão do comportamento ético e a valorização de ações que visam a colaborar com a solução de problemas sociais.
Parecer rico carrega algum estigma. Talvez seja porque do conjunto de abonados de nosso país haja muitos que chegaram a essa situação por meio de atitudes reprováveis: exploração de mão-de-obra, pagamento os salários de abaixo do valor de mercado e subtração dos direitos trabalhistas; participação em conluios onde a corrupção predomina; recebimento de heranças sem nenhuma ação de mérito ou de colaboração com a geração da riqueza; enfim, a origem dos bens tem alguma característica que desqualifica seu detentor.
Mas, quando estamos no ambiente empreendedor, é muito provável que a riqueza seja o resultado de muito trabalho, de abertura de vagas para que seus colaboradores possam trabalhar e sustentar suas famílias, de muita competência em planejar e implantar seus projetos, com uma gestão de alta qualidade, tantas vezes resultando em pagamento de impostos que permitiram aos governos fazer seus investimentos em beneficio da população.
Este empreendedor que enriqueceu em consequência de uma sistemática ação positiva e elogiável, deve se orgulhar de ter atingido esta situação. Ser rico neste caso é algo que vem premiar um comportamento correto e persistente, com habilidade e correndo riscos calculados, com um planejamento para contingências adversas bastante bem elaborado.
Nosso empreendedor milionário Eike Batista não cansa de dizer do seu orgulho de ser um dos mais ricos do mundo. Quando faz esta afirmação, não deixa de lembrar que esta situação privilegiada é o resultado da geração de empreendimentos, de produtos importantes para o consumo das pessoas, de empregos, pagando altos impostos, contribuindo com as populações e comunidades na região onde ficam suas empresas.
Proponho que cada um que vive no ambiente do empreendedorismo pare para pensar sobre este tema e busque uma resposta a minha pergunta: entre os empreendedores brasileiros que você conhece, a maioria deles tem um comportamento ético digno ou são pessoas que buscam o enriquecimento sem respeitar os direitos alheios e sem prestar os tributos necessários para a sociedade?
Minha resposta é bastante favorável aos nossos empreendedores e, na educação empreendedora que lhes transmitimos enquanto alunos é marcante a valorização da questão do comportamento ético e a valorização de ações que visam a colaborar com a solução de problemas sociais.
sábado, 28 de janeiro de 2012
A importância de trabalhar profissionalmente
Estamos vivendo um momento triste. Afinal, três prédios caíram juntos e de repente, felizmente fora do horário padrão de expediente. Mas, ainda sim, as perdas foram muito grandes. Mais de 20 vidas humanas e a paralização da vida normal de muitas empresas e escritórios.
Para o empreendedor minha esperança é que seja possível tirar uma lição: uma velha lição, que repetimos à exaustão faz muito tempo. Planeje antes de fazer e analise todas as possíveis implicações e os riscos que você vai assumir.
Quem age deste modo, costuma ter menos surpresas. Um amigo meu diz que surpresa é uma coisa desagradável. Ele não gosta quando alguém diz em sua presença: que agradável surpresa. Alega que isso é uma mentira ou pelos menos sinal de falta de planejamento.
O planejamento serve para se pensar em diversos aspectos que envolvem o ato de empreender alguma coisa. Quanto mais bem feito o planejamento, menor a possibilidade de ocorrências que não foram imaginadas. As surpresas para o planejador significam que o não desejável ou não imaginado ocorreu. Portanto, não foi previsto ou o risco que trazia foi erradamente avaliado.
Claro que não sei de quem foi a culpa desta terrível catástrofe: mas, certamente devemos procurar algo que foi feito sem planejar ou mal planejado.
Não adianta dizer que estou errado e que foi falta de acompanhamento, falta de fiscalização (controle). Só pode haver acompanhamento ou controle depois que houver o planejamento. A briga pela fiscalização é valida, mas é preciso antecedê-la pelo planejamento.
Evidentemente, cabe aqui também pensar que não há um processo claro para fazer alterações e obras em prédios pré-existentes. O CREA mostrou como deveria funcionar sua burocracia e a Prefeitura compreendeu que falta algo para preencher esta lacuna. E eu pergunto: precisava esperar ruírem por terra três edifícios e matar mais de 20 pessoas para perceber isso? Nem havia necessidade de criatividade: afinal, bastava copiar como fazem as grandes cidades do mundo para resolver esta questão.
Minha conclusão é que ainda nos falta muito para construir um país empreendedor, com hábitos que ajudem a ampliar nosso capital social. Precisamos investir fortemente nisso: não é o dinheiro que irá resolver. Esse é um problema de educação. É preciso que em nossos valores exista uma espécie de alarme que tocaria dentro de nossas cabeças sempre que fizermos alguma coisa sem pensar antes, sem planejar e sem considerar o quanto podem ser nocivas para as pessoas.
Precisamos, nós os professores de empreendedorismo, discutir com nossos alunos um conjunto de valores que são importantes para sua vida inteira. Nossos empreendedores precisam lembrar que não basta o sucesso financeiro: é preciso também criar permanentemente capital social, evitando ações em que não poderemos justificar nossa falta de responsabilidade.
“Prepara com antecedência teu trabalho e torna-o apropriado para ti, no campo; depois, trata de construir tua casa” (Provérbios do Rei Salomão, 24:27).
Para o empreendedor minha esperança é que seja possível tirar uma lição: uma velha lição, que repetimos à exaustão faz muito tempo. Planeje antes de fazer e analise todas as possíveis implicações e os riscos que você vai assumir.
Quem age deste modo, costuma ter menos surpresas. Um amigo meu diz que surpresa é uma coisa desagradável. Ele não gosta quando alguém diz em sua presença: que agradável surpresa. Alega que isso é uma mentira ou pelos menos sinal de falta de planejamento.
O planejamento serve para se pensar em diversos aspectos que envolvem o ato de empreender alguma coisa. Quanto mais bem feito o planejamento, menor a possibilidade de ocorrências que não foram imaginadas. As surpresas para o planejador significam que o não desejável ou não imaginado ocorreu. Portanto, não foi previsto ou o risco que trazia foi erradamente avaliado.
Claro que não sei de quem foi a culpa desta terrível catástrofe: mas, certamente devemos procurar algo que foi feito sem planejar ou mal planejado.
Não adianta dizer que estou errado e que foi falta de acompanhamento, falta de fiscalização (controle). Só pode haver acompanhamento ou controle depois que houver o planejamento. A briga pela fiscalização é valida, mas é preciso antecedê-la pelo planejamento.
Evidentemente, cabe aqui também pensar que não há um processo claro para fazer alterações e obras em prédios pré-existentes. O CREA mostrou como deveria funcionar sua burocracia e a Prefeitura compreendeu que falta algo para preencher esta lacuna. E eu pergunto: precisava esperar ruírem por terra três edifícios e matar mais de 20 pessoas para perceber isso? Nem havia necessidade de criatividade: afinal, bastava copiar como fazem as grandes cidades do mundo para resolver esta questão.
Minha conclusão é que ainda nos falta muito para construir um país empreendedor, com hábitos que ajudem a ampliar nosso capital social. Precisamos investir fortemente nisso: não é o dinheiro que irá resolver. Esse é um problema de educação. É preciso que em nossos valores exista uma espécie de alarme que tocaria dentro de nossas cabeças sempre que fizermos alguma coisa sem pensar antes, sem planejar e sem considerar o quanto podem ser nocivas para as pessoas.
Precisamos, nós os professores de empreendedorismo, discutir com nossos alunos um conjunto de valores que são importantes para sua vida inteira. Nossos empreendedores precisam lembrar que não basta o sucesso financeiro: é preciso também criar permanentemente capital social, evitando ações em que não poderemos justificar nossa falta de responsabilidade.
“Prepara com antecedência teu trabalho e torna-o apropriado para ti, no campo; depois, trata de construir tua casa” (Provérbios do Rei Salomão, 24:27).
sábado, 21 de janeiro de 2012
A era pós-PC IIII
Eu havia dado por terminada a minha série de dois blogs sobre a era pós-PC, mas ao ler esta semana a revista Exame identifiquei o quanto este número da publicação voltada a negócios esta alinhada com a era pós-PC.
Em educação, são mostrados vários aspectos importantes: o primeiro a valorização do ensino a distancia, exemplificado pela compra da Unopar pela Kroton, por 1,3 bilhão de reais, especialmente pelo fato de que a universidade de Londrina desenvolveu uma estratégia bem sucedida na área de educação à distancia.
Depois, já na pagina 122, mostra o trabalho do professor brasileiro Paulo Blikstein na melhoria dos métodos de ensino através do uso de tecnologia aplicada à educação, ficando patente que as soluções que estão sendo pesquisadas estão alinhadas com a era pós-PC, uma vez que buscam soluções para os problemas tradicionais do ser humano, mas fora da caixa, isto é, com a ajuda de conhecimentos que jamais foram usadas antes para esse fim. Inverte-se o direcionamento: em vez de pensar o que se pode fazer com a tecnologia, pensa-se como poderíamos fazer alguma coisa com melhor desempenho com a sua utilização. Tecnologia passa a ser o instrumento que vai viabilizar uma maneira mais adequada para atender necessidades humanas.
Mas, não para por ai: na página 61, mostra a reformulação do Detran do maior estado brasileiro, São Paulo, sendo feita pelo brilhante executivo Daniel Annenberg, tudo com base em sistemas que permitem ao proprietário do carro ter acesso aos serviços de que necessita. Trabalha com a Internet e atende ao publico em locais espalhados em diversos bairros da cidade, mas buscam o respeito ao tempo do usuário. A chave dessas soluções está na utilização dos recursos oferecidos pela tecnologia. O cidadão se sente mais satisfeito quando obtém resultados rápidos e desejados: tudo sem necessidade de desvendar os mistérios de uma burocracia “kafkaniana” e muitas vezes corrupta.
Ainda, e não menos importante, este número de Exame trata da SPED, sigla que significa Sistema Público de Escrituração Fiscal. Apesar de serem abordadas as dificuldades de implantar um novo e mais eficaz sistema de gestão empresarial para pequenas empresas, integrado e baseado na computação nas nuvens, fica evidenciada a vantagem para a gestão empresarial que passará a existir após serem vencidas as dificuldades iniciais de implantação.
Meu objetivo está longe de ser a promoção da revista, apesar de reconhecê-la como de boa qualidade e prestadora de serviços importantes. Mas, quero mostrar que a era pós-PC já pegou, tanto que desperta a atenção de uma revista especializada, que acaba por tratar de diversas manifestações deste novo tempo, em apenas um de seus números, que nem é direcionado a tratar especificamente deste tema.
Bem, agora eu acredito que consegui motivar os empreendedores que são meus leitores para que busquem novas soluções para os problemas humanos, inovando através da tecnologia, claro que utilizando as tecnologias da era do PC e as que foram sendo desenvolvidas ao longo do tempo.
Em educação, são mostrados vários aspectos importantes: o primeiro a valorização do ensino a distancia, exemplificado pela compra da Unopar pela Kroton, por 1,3 bilhão de reais, especialmente pelo fato de que a universidade de Londrina desenvolveu uma estratégia bem sucedida na área de educação à distancia.
Depois, já na pagina 122, mostra o trabalho do professor brasileiro Paulo Blikstein na melhoria dos métodos de ensino através do uso de tecnologia aplicada à educação, ficando patente que as soluções que estão sendo pesquisadas estão alinhadas com a era pós-PC, uma vez que buscam soluções para os problemas tradicionais do ser humano, mas fora da caixa, isto é, com a ajuda de conhecimentos que jamais foram usadas antes para esse fim. Inverte-se o direcionamento: em vez de pensar o que se pode fazer com a tecnologia, pensa-se como poderíamos fazer alguma coisa com melhor desempenho com a sua utilização. Tecnologia passa a ser o instrumento que vai viabilizar uma maneira mais adequada para atender necessidades humanas.
Mas, não para por ai: na página 61, mostra a reformulação do Detran do maior estado brasileiro, São Paulo, sendo feita pelo brilhante executivo Daniel Annenberg, tudo com base em sistemas que permitem ao proprietário do carro ter acesso aos serviços de que necessita. Trabalha com a Internet e atende ao publico em locais espalhados em diversos bairros da cidade, mas buscam o respeito ao tempo do usuário. A chave dessas soluções está na utilização dos recursos oferecidos pela tecnologia. O cidadão se sente mais satisfeito quando obtém resultados rápidos e desejados: tudo sem necessidade de desvendar os mistérios de uma burocracia “kafkaniana” e muitas vezes corrupta.
Ainda, e não menos importante, este número de Exame trata da SPED, sigla que significa Sistema Público de Escrituração Fiscal. Apesar de serem abordadas as dificuldades de implantar um novo e mais eficaz sistema de gestão empresarial para pequenas empresas, integrado e baseado na computação nas nuvens, fica evidenciada a vantagem para a gestão empresarial que passará a existir após serem vencidas as dificuldades iniciais de implantação.
Meu objetivo está longe de ser a promoção da revista, apesar de reconhecê-la como de boa qualidade e prestadora de serviços importantes. Mas, quero mostrar que a era pós-PC já pegou, tanto que desperta a atenção de uma revista especializada, que acaba por tratar de diversas manifestações deste novo tempo, em apenas um de seus números, que nem é direcionado a tratar especificamente deste tema.
Bem, agora eu acredito que consegui motivar os empreendedores que são meus leitores para que busquem novas soluções para os problemas humanos, inovando através da tecnologia, claro que utilizando as tecnologias da era do PC e as que foram sendo desenvolvidas ao longo do tempo.
domingo, 15 de janeiro de 2012
A era pós-PC II
Um questionamento que recebi a respeito da era pós-PC: e os negócios tradicionais, não continuam a ser uma fonte de realização para os empreendedores? Além disso, continuam a ser um meio válido para ganhar a vida, não é?
A resposta é obviamente sim, mas acrescento que se abrem espaços na era pós-PC para que esses negócios sejam revisitados e ganhem características que os tornam mais atraentes para seus clientes.
Por exemplo, as cafeterias continuam a ser um espaço muito interessante para que pessoas se reúnam e, juntas, degustem um bom café com um pedaço de bolo. Mas, as cafeterias podem se tornar mais atraentes se puderem oferecer a seus clientes algumas maravilhas da era pós-PC, como, por exemplo, um “tablet” onde possam ler um jornal, uma revista, um livro ou até mesmo assistir a um filme, um concerto de seus artistas preferidos, enquanto deliciam o café e o bolo.
Numa padaria, seria razoável utilizar os recursos da era pós-PC para sua gestão, controlando os gastos de insumos, as vendas e até estudando o efeito de determinadas promoções sobre os lucros da empresa. Esses sistemas existem faz muito tempo, mas, de um modo geral, só eram acessíveis às empresas de maior porte, mas agora é possível utilizá-los com os recursos disponíveis na tecnologia de informação a preços bastante convidativos.
As empresas cujo lucro depende fortemente da eficiência de seus processos, podem ter agora uma estrutura computacional poderosa, mas “nas nuvens”, sem necessidade de montar complexas plataformas próprias e entrar na fila do desenvolvimento de seus sistemas, posto que muitas ofertas de sistemas prontos, capazes de ser parametrizados, para atender aos processos específicos de cada empresa.
Creio que onde veremos mudanças mais sensíveis será na área de educação: os atuais problemas nessa área, que levam o aluno a ter dificuldades de aprendizagem, poderão ser vencidos ou minimizados pelo uso dos recursos da tecnologia de informação. O resultado pode ser um substancial aumento da quantidade de alunos em cada curso e melhoria do aprendizado desses alunos.
Na área medica também é possível obter grandes avanços: cartão com o “chip” legível que pode carregar dados sobre a saúde da pessoa, devidamente atualizados, pode ser um fator essencial para os médicos salvarem vidas ou conseguirem ter caminhos mais claros para a sua ação.
Enfim, não é só de entretenimento que se fala quando o assunto é a era pós-PC: estamos falando na utilização das tecnologias existentes para a melhoria da vida das pessoas. Isso pode ser feito em grande escala e terá custos muito mais baixos que os atualmente suportados pelas pessoas.
A resposta é obviamente sim, mas acrescento que se abrem espaços na era pós-PC para que esses negócios sejam revisitados e ganhem características que os tornam mais atraentes para seus clientes.
Por exemplo, as cafeterias continuam a ser um espaço muito interessante para que pessoas se reúnam e, juntas, degustem um bom café com um pedaço de bolo. Mas, as cafeterias podem se tornar mais atraentes se puderem oferecer a seus clientes algumas maravilhas da era pós-PC, como, por exemplo, um “tablet” onde possam ler um jornal, uma revista, um livro ou até mesmo assistir a um filme, um concerto de seus artistas preferidos, enquanto deliciam o café e o bolo.
Numa padaria, seria razoável utilizar os recursos da era pós-PC para sua gestão, controlando os gastos de insumos, as vendas e até estudando o efeito de determinadas promoções sobre os lucros da empresa. Esses sistemas existem faz muito tempo, mas, de um modo geral, só eram acessíveis às empresas de maior porte, mas agora é possível utilizá-los com os recursos disponíveis na tecnologia de informação a preços bastante convidativos.
As empresas cujo lucro depende fortemente da eficiência de seus processos, podem ter agora uma estrutura computacional poderosa, mas “nas nuvens”, sem necessidade de montar complexas plataformas próprias e entrar na fila do desenvolvimento de seus sistemas, posto que muitas ofertas de sistemas prontos, capazes de ser parametrizados, para atender aos processos específicos de cada empresa.
Creio que onde veremos mudanças mais sensíveis será na área de educação: os atuais problemas nessa área, que levam o aluno a ter dificuldades de aprendizagem, poderão ser vencidos ou minimizados pelo uso dos recursos da tecnologia de informação. O resultado pode ser um substancial aumento da quantidade de alunos em cada curso e melhoria do aprendizado desses alunos.
Na área medica também é possível obter grandes avanços: cartão com o “chip” legível que pode carregar dados sobre a saúde da pessoa, devidamente atualizados, pode ser um fator essencial para os médicos salvarem vidas ou conseguirem ter caminhos mais claros para a sua ação.
Enfim, não é só de entretenimento que se fala quando o assunto é a era pós-PC: estamos falando na utilização das tecnologias existentes para a melhoria da vida das pessoas. Isso pode ser feito em grande escala e terá custos muito mais baixos que os atualmente suportados pelas pessoas.
sábado, 7 de janeiro de 2012
A era pós-PC
Estamos na era pós-PC: confesso que quando ouvi Steve Jobs dizer isso com naturalidade em sua entrevista de 2007, ao lado de Bill Gates, não captei toda a extensão de seu pensamento.
Para quem procura inovação esta era que vivemos é um prato cheio. Mas, antes de tudo, vamos procurar conceituar de modo simples o que é a era pós-PC.
A era anterior que vivíamos era aquela em apareceu o PC e que se caracterizou por uma participação excepcional de nossos heróis Bill Gates e Steve Jobs. Sua principal característica era que vivíamos nos esforçando para aprender a usar o computador, como poderíamos aproveitar seu potencial usando os produtos que existiam como o editor de textos, as planilhas e o PowerPoint.
Na era pós-PC se inverte a logica: passamos a pensar como seria mais confortável para fazermos aquilo que queremos e precisamos, podendo incluir o PC ou um de seus variantes como um instrumento que ajude na solução ideal para nossos objetivos.
Nesta nova fase também podemos agregar ao PC outros instrumentos ou recursos que ajudem a tornar mais interessante nossa solução. Por exemplo, o “tablet” é um pedaço de PC que torna mais confortável ler: mas, podemos ir mais longe e agregar a ele as existentes facilidades tecnológicas que permitem que possamos ver filmes no próprio “tablet”. Desse modo, passamos a ter um instrumento que facilita nossa vida para ler e ver filmes e também para permitir que um livro seja redefinido, podendo ter o poder de mostrar cenas quando se clica em uma palavra. Isso é algo da era pós-PC.
Esse redirecionamento do modo de pensar que caracteriza a era pós-PC nos leva a imaginar muitos aparelhos e recursos de software capazes de ajudar a nossa vida diária tendo como base o PC, ao qual se adicionam os recursos que podem facilitar nosso modo de realizar tarefas.
Para inovar, nosso empreendedor vai passar a pensar nas atividades do ser humano e descobrir como fazer para que elas se tornem agradáveis ou menos sacrificadas. Tudo isso, usando uma gama de tecnologia que foi desenvolvida na era PC e que podemos agora dispor, agregando umas às outras e montando coisas incríveis.
Quem viver verá que agora não basta oferecer um instrumento genérico e dizer que com ele podemos resolver diversos problemas: vamos apresentar instrumentos que são específicos para mudar nosso modo de fazer cada atividade, facilitando nosso caminho.
Viva a era pós-PC e mais uma vez obrigado Steve pela lição que nos ensinou.
Para quem procura inovação esta era que vivemos é um prato cheio. Mas, antes de tudo, vamos procurar conceituar de modo simples o que é a era pós-PC.
A era anterior que vivíamos era aquela em apareceu o PC e que se caracterizou por uma participação excepcional de nossos heróis Bill Gates e Steve Jobs. Sua principal característica era que vivíamos nos esforçando para aprender a usar o computador, como poderíamos aproveitar seu potencial usando os produtos que existiam como o editor de textos, as planilhas e o PowerPoint.
Na era pós-PC se inverte a logica: passamos a pensar como seria mais confortável para fazermos aquilo que queremos e precisamos, podendo incluir o PC ou um de seus variantes como um instrumento que ajude na solução ideal para nossos objetivos.
Nesta nova fase também podemos agregar ao PC outros instrumentos ou recursos que ajudem a tornar mais interessante nossa solução. Por exemplo, o “tablet” é um pedaço de PC que torna mais confortável ler: mas, podemos ir mais longe e agregar a ele as existentes facilidades tecnológicas que permitem que possamos ver filmes no próprio “tablet”. Desse modo, passamos a ter um instrumento que facilita nossa vida para ler e ver filmes e também para permitir que um livro seja redefinido, podendo ter o poder de mostrar cenas quando se clica em uma palavra. Isso é algo da era pós-PC.
Esse redirecionamento do modo de pensar que caracteriza a era pós-PC nos leva a imaginar muitos aparelhos e recursos de software capazes de ajudar a nossa vida diária tendo como base o PC, ao qual se adicionam os recursos que podem facilitar nosso modo de realizar tarefas.
Para inovar, nosso empreendedor vai passar a pensar nas atividades do ser humano e descobrir como fazer para que elas se tornem agradáveis ou menos sacrificadas. Tudo isso, usando uma gama de tecnologia que foi desenvolvida na era PC e que podemos agora dispor, agregando umas às outras e montando coisas incríveis.
Quem viver verá que agora não basta oferecer um instrumento genérico e dizer que com ele podemos resolver diversos problemas: vamos apresentar instrumentos que são específicos para mudar nosso modo de fazer cada atividade, facilitando nosso caminho.
Viva a era pós-PC e mais uma vez obrigado Steve pela lição que nos ensinou.
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