quinta-feira, 19 de abril de 2012
Bons exemplos a serem seguidos
Temos evoluído bastante aqui no Brasil, em tudo que se trata de empreendedorismo, mas a politica que pauta as ações governamentais e as entidades do governo não tem tido muita continuidade em suas iniciativas.
Um exemplo disso é o que aconteceu com a FINEP em relação ao Prime - Primeira Empresa Inovadora, um programa que facilitava bastante o empreendedor na construção de seu empreendimento. Funcionou uma vez em 2009 e desde então não foi mais operacionalizado pela FINEP.
Um bom exemplo na área governamental é o do Estado de Israel: o empreendedorismo foi considerado estratégico e como prioridade nacional. A partir daí foram criadas 25 incubadoras que têm sido mantidas pelo Estado e um mecanismo de financiamento de 250.000 dólares para os projetos inovadores que sejam aprovados dentro de um critério claro e construtivo. Depois de 15 anos de seguir esta politica, sem pular nenhum ano, houve uma evolução do critério para permitir que agentes financeiros que queiram investir nas empresas nascentes israelenses possam se associar através das incubadoras e isso trouxe mais 14 bilhões de dólares para os empreendedores israelenses, além do que o governo já investia e manteve.
Por isso, lemos tantas noticias de sucesso trazidas pelas empresas dos jovens daquele país. Claro que é também importante o ambiente de pesquisa das universidades, como é o caso do Technion e outras mais que participam deste ambiente empreendedor e de construção de inovação.
Será que, neste momento em que a presidência do Brasil busca parcerias estratégicas para formar pessoal de alta qualificação, não seria também oportuno e conveniente pensar em estabelecer um politica governamental para o empreendedorismo, inspirada no exemplo israelense?
Compreendo as dificuldades de se implantar novos processos e politicas no Brasil, mas esse desafio pode ser compensado pela solução do dramático atraso nacional em relação à inovação e a nossa péssima colocação no ranking mundial desta área.
Do que estamos falando em termos de recursos? Se imaginarmos que, num primeiro momento, o governo brasileiro escolhesse as vinte melhores incubadoras de empresas do país e passasse a dar a elas condições de prestar um bom serviço, poderíamos estar falando em algo como R$ 120.000.000,00 por ano, contemplando cada incubadora com R$ 500.000,00 a cada mês.
Se ainda imaginarmos que seja restabelecido o Programa Prime, com a geração de 30 novas empresas em cada incubadora por ano, cada uma recebendo cerca de R$150.000,00, teríamos 600 novas empresas que consumiriam R$ 90.000.000,00 por ano.
O resultado é que poderiam ser implementadas essas ideias com apenas R$ 210 milhões em cada ano. O governo de Israel investe 500 milhões de dólares por ano em programa similar.
Presidente Dilma, autoridades do Ministério de Ciência e Tecnologia, leiam este blog, podemos ajuda-los a implantar programas simples, eficazes e que se pagam em pouco tempo. Já imaginaram esta novas empresas retornando em impostos e empregos todo o investimento feito, em menos de cinco anos?
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Acelerando uma empresa II
Conforme anunciado no blog anterior, onde descrevemos as características das aceleradoras de empresas iniciantes, veremos agora quais os critérios que o empreendedor deve levar em conta para escolher uma aceleradora.
Certamente o suporte que a empresa irá receber da aceleradora tem enorme peso nessa decisão. Para um empreendedor são relevantes os seguintes tipos de apoio da aceleradora:
- na organização da empresa e nos processos que vai adotar – em geral, mentores desempenham este papel;
- na penetração no mercado por meio da cadeia de relacionamento da aceleradora;
- na busca de investidores para viabilizar projetos da empresa e seu desenvolvimento;
- na globalização da empresa, seja pela sua atuação no mercado internacional, ou através de seu estabelecimento e operação em mercados fora do país.
Naturalmente, o empreendedor terá de considerar o beneficio adicional que a aceleradora vai trazer ao seu empreendimento, comparado ao percentual das ações que vai ficar em seu poder.
Por exemplo, uma aceleradora que seja capaz de oferecer um elenco de mentores que conheçam bem o processo de constituição da empresa e tenham experiência em lidar com este tipo de empresa nascente é um fator importante para que o empreendedor faça sua opção.
Outro item é a sinergia entre as empresas da aceleradora: a existência de empresas complementares e que possam atuar em conjunto, favorecendo o seu crescimento global, ajuda bastante a ampliação da clientela, a ocupação de espaços de mercado e a criação de soluções comuns.
Não há padrões estabelecidos para mensurar estes fatores, aqui comentados. Vemos aceleradoras que preferem ter menos de 50% das empresas, mesmo quando contribuem com recursos financeiros para desenvolver os planos da empresa. Este posicionamento visa a favorecer o empreendedor e a valorizar sua dedicação no processo de criação e desenvolvimento da empresa nascente.
Também se preocupa com as futuras diluições causadas pela entrada de novos investidores, o que é necessário em muitos casos, para explorar adequadamente a potencialidade da empresa. Uma diluição muito grande dos empreendedores os desestimula a continuar o negócio ou implica na redução de seu empenho.
Certamente o suporte que a empresa irá receber da aceleradora tem enorme peso nessa decisão. Para um empreendedor são relevantes os seguintes tipos de apoio da aceleradora:
- na organização da empresa e nos processos que vai adotar – em geral, mentores desempenham este papel;
- na penetração no mercado por meio da cadeia de relacionamento da aceleradora;
- na busca de investidores para viabilizar projetos da empresa e seu desenvolvimento;
- na globalização da empresa, seja pela sua atuação no mercado internacional, ou através de seu estabelecimento e operação em mercados fora do país.
Naturalmente, o empreendedor terá de considerar o beneficio adicional que a aceleradora vai trazer ao seu empreendimento, comparado ao percentual das ações que vai ficar em seu poder.
Por exemplo, uma aceleradora que seja capaz de oferecer um elenco de mentores que conheçam bem o processo de constituição da empresa e tenham experiência em lidar com este tipo de empresa nascente é um fator importante para que o empreendedor faça sua opção.
Outro item é a sinergia entre as empresas da aceleradora: a existência de empresas complementares e que possam atuar em conjunto, favorecendo o seu crescimento global, ajuda bastante a ampliação da clientela, a ocupação de espaços de mercado e a criação de soluções comuns.
Não há padrões estabelecidos para mensurar estes fatores, aqui comentados. Vemos aceleradoras que preferem ter menos de 50% das empresas, mesmo quando contribuem com recursos financeiros para desenvolver os planos da empresa. Este posicionamento visa a favorecer o empreendedor e a valorizar sua dedicação no processo de criação e desenvolvimento da empresa nascente.
Também se preocupa com as futuras diluições causadas pela entrada de novos investidores, o que é necessário em muitos casos, para explorar adequadamente a potencialidade da empresa. Uma diluição muito grande dos empreendedores os desestimula a continuar o negócio ou implica na redução de seu empenho.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
Acelerando uma empresa I
Uma visão que o empreendedorismo brasileiro desenvolveu foi a incubação de uma empresa. Ideias de empreendedores, com algum amadurecimento e transformadas em planos de negócios, conseguiam ser aprovadas por incubadoras, especialmente as ligadas a Universidades. Essas instituições observavam as características dos sócios da futura empresa e o quanto o plano de negócios estava bem preparado.
Os aprovados neste filtro eram normalmente levados a uma banca que dava o veredicto final, após a apresentação do plano de negócios pelo empreendedor. Os que tivessem sucesso na banca instalavam suas novas empresas na incubadora e tinham cerca de dois anos para mostrar a viabilidade da empresa. As incubadoras estabeleciam metas a serem atingidas para que a nova empresa pudesse concluir com êxito seu período de incubação. Essas metas eram em termos de produtos e serviços oferecidos, a clientela conseguida, o faturamento anual obtido e a montagem da organização da empresa com sua equipe e processos.
Após esta fase, se concluída com sucesso, o empreendedor saia da incubadora e passava a ter novo endereço para sua empresa, assim como outra estrutura de custos. Precisava refazer o plano para seus próximos anos, quando deveria aspirar ao crescimento da empresa e obter recursos para viabilizá-lo. Poucas foram as empresas que conseguiram impressionar investidores: eram ainda bastante pequenas e o risco para os investidores era muito alto.
Algumas conseguiram se desenvolver com recursos próprios, reservando uma parte do dinheiro que conseguiam ganhar para investir em seu projeto de crescimento. Outras poucas conseguiram investidores que nem sempre ajudaram muito para a realização do plano de desenvolvimento da empresa.
O conceito atual de aceleradora significa um repensar de todo este ciclo de criação e desenvolvimento de uma nova empresa: em primeiro lugar, o empreendedor é levado a pensar mais profundamente sobre suas ideias e a testar o seu modelo de negócios no mercado. Isso requer um suporte mais experiente para os empreendedores e também algum recurso para preparar e realizar essa prova. Sem passar por essa etapa, não há como investir tempo e dinheiro num empreendimento. Há inclusive certo exagero de alguns professores ao dizer que o plano de negócios morreu, pois só é necessário fazer e testar o modelo de negócios. Essa modelagem representa o básico para dar prosseguimento ao investimento no empreendimento.
Quando os envolvidos encontrarem um modelo de negócios que indique a possibilidade de sucesso do empreendimento, há a necessidade de fazer um bom plano de negócios. No caso da aceleradora, o empreendedor contará com uma equipe de mentores experientes, familiarizados com o desenvolvimento e organização de empresas.
O termo aceleradora vem exatamente da convicção de que o acompanhamento e o suporte da empresa nascente pode leva-la a um patamar de desenvolvimento bem superior ao que uma incubadora conseguia. É claro que o investimento em cada empresa nascente feito pela aceleradora é muito maior do que o realizado pelas incubadoras, que se limitam a lhes dar apoio na obtenção de recursos de entidades de fomento, orientação de professores e alguma logística, sem interferir em sua administração.
Pode valer a pena para o empreendedor aceitar ceder parte de suas cotas na empresa idealizada para contar com o apoio da aceleradora. Em nosso próximo blog vamos discutir os critérios para o empreendedor avaliar e escolher uma aceleradora.
Os aprovados neste filtro eram normalmente levados a uma banca que dava o veredicto final, após a apresentação do plano de negócios pelo empreendedor. Os que tivessem sucesso na banca instalavam suas novas empresas na incubadora e tinham cerca de dois anos para mostrar a viabilidade da empresa. As incubadoras estabeleciam metas a serem atingidas para que a nova empresa pudesse concluir com êxito seu período de incubação. Essas metas eram em termos de produtos e serviços oferecidos, a clientela conseguida, o faturamento anual obtido e a montagem da organização da empresa com sua equipe e processos.
Após esta fase, se concluída com sucesso, o empreendedor saia da incubadora e passava a ter novo endereço para sua empresa, assim como outra estrutura de custos. Precisava refazer o plano para seus próximos anos, quando deveria aspirar ao crescimento da empresa e obter recursos para viabilizá-lo. Poucas foram as empresas que conseguiram impressionar investidores: eram ainda bastante pequenas e o risco para os investidores era muito alto.
Algumas conseguiram se desenvolver com recursos próprios, reservando uma parte do dinheiro que conseguiam ganhar para investir em seu projeto de crescimento. Outras poucas conseguiram investidores que nem sempre ajudaram muito para a realização do plano de desenvolvimento da empresa.
O conceito atual de aceleradora significa um repensar de todo este ciclo de criação e desenvolvimento de uma nova empresa: em primeiro lugar, o empreendedor é levado a pensar mais profundamente sobre suas ideias e a testar o seu modelo de negócios no mercado. Isso requer um suporte mais experiente para os empreendedores e também algum recurso para preparar e realizar essa prova. Sem passar por essa etapa, não há como investir tempo e dinheiro num empreendimento. Há inclusive certo exagero de alguns professores ao dizer que o plano de negócios morreu, pois só é necessário fazer e testar o modelo de negócios. Essa modelagem representa o básico para dar prosseguimento ao investimento no empreendimento.
Quando os envolvidos encontrarem um modelo de negócios que indique a possibilidade de sucesso do empreendimento, há a necessidade de fazer um bom plano de negócios. No caso da aceleradora, o empreendedor contará com uma equipe de mentores experientes, familiarizados com o desenvolvimento e organização de empresas.
O termo aceleradora vem exatamente da convicção de que o acompanhamento e o suporte da empresa nascente pode leva-la a um patamar de desenvolvimento bem superior ao que uma incubadora conseguia. É claro que o investimento em cada empresa nascente feito pela aceleradora é muito maior do que o realizado pelas incubadoras, que se limitam a lhes dar apoio na obtenção de recursos de entidades de fomento, orientação de professores e alguma logística, sem interferir em sua administração.
Pode valer a pena para o empreendedor aceitar ceder parte de suas cotas na empresa idealizada para contar com o apoio da aceleradora. Em nosso próximo blog vamos discutir os critérios para o empreendedor avaliar e escolher uma aceleradora.
terça-feira, 27 de março de 2012
21212 promove evento para empreendedores no Rio de Janeiro
Você sabe o que é 21212? É uma iniciativa empreendedora de alguns jovens que já tiveram grande sucesso em empreendimentos anteriores e agora aplicam o que conseguiram ganhar e seu próprio tempo para estimular outros seguidores nessas empreitadas. Assim, a 21212 é uma incubadora e aceleradora de empresas que seleciona projetos de empreendimentos para serem incubados e terem sucesso de modo rápido.
O funcionamento de um moderno sistema de desenvolvimento de novas empresas favorece um contato muito grande entre elas, busca projetos que tenham sinergias para que possam fazer planos conjuntos e colaborar intensamente em beneficio de cada grupo. Isso é feito na 21212 de modo extensivo.
Outro aspecto importante é a mentoria dessas empresas, com pessoal experiente e bem preparado para ajuda-las. Esta função também é enfatizada na 21212.
Vivemos um mundo em que não basta fazer uma nova empresa se viabilizar: é preciso trabalhar no limite da inovação e pensar globalmente. Este é um dos princípios da 21212.
Como vocês podem ver fiquei entusiasmado com o que a 21212 apresentou em seu Demo Day, realizado no Rio de Janeiro. O que as empresas mostraram foi muito interessante e objetivo.
A 21212 conseguiu atrair muitos investidores para seu show carioca. Além disso, levou Armínio Fraga para fazer uma apresentação rápida durante o evento. Este é o caminho do empreendedorismo brasileiro: corajoso, competente e inovador.
A Endeavor transmitiu o evento pela Internet, ao vivo, e eu creio que deve ter sido visto por bastante gente em São Paulo e em outros estados brasileiros.
Parabéns 21212! Deste modo teremos em breve novos empreendimentos inovadores de sucesso.
O funcionamento de um moderno sistema de desenvolvimento de novas empresas favorece um contato muito grande entre elas, busca projetos que tenham sinergias para que possam fazer planos conjuntos e colaborar intensamente em beneficio de cada grupo. Isso é feito na 21212 de modo extensivo.
Outro aspecto importante é a mentoria dessas empresas, com pessoal experiente e bem preparado para ajuda-las. Esta função também é enfatizada na 21212.
Vivemos um mundo em que não basta fazer uma nova empresa se viabilizar: é preciso trabalhar no limite da inovação e pensar globalmente. Este é um dos princípios da 21212.
Como vocês podem ver fiquei entusiasmado com o que a 21212 apresentou em seu Demo Day, realizado no Rio de Janeiro. O que as empresas mostraram foi muito interessante e objetivo.
A 21212 conseguiu atrair muitos investidores para seu show carioca. Além disso, levou Armínio Fraga para fazer uma apresentação rápida durante o evento. Este é o caminho do empreendedorismo brasileiro: corajoso, competente e inovador.
A Endeavor transmitiu o evento pela Internet, ao vivo, e eu creio que deve ter sido visto por bastante gente em São Paulo e em outros estados brasileiros.
Parabéns 21212! Deste modo teremos em breve novos empreendimentos inovadores de sucesso.
sábado, 17 de março de 2012
A oportunidade está na sua porta
Vivemos um ano que não foi saudado com muita alegria: a expectativa era estarmos em meio a muitas dificuldades e riscos em diversos sentidos. O pior de todos era um possível desemprego em proporções assustadoras.
Existiam razões objetivas para justificar os temores: as crises europeia e americana, a redução da velocidade de crescimento da China, nossa crônica insuficiência de infraestrutura e de ação para reverter esta situação. Parece que não faltava nada para que 2012 viesse a ser um ano perdido para o progresso ou a evolução do desenvolvimento.
Algo mudou? Com relação aos problemas que seriam potencialmente causadores dos pesadelos de 2012, podemos dizer que pouco. Mas, o que se alterou foi a atitude dos diversos atores.
A crise americana, com coragem e firmeza, está sendo enfrentada e já existe uma percepção de sucesso e de fortes indícios de saída. Quanto à Europa, podemos dizer até que se formou uma convicção de que a crise é profunda e que requer muito tempo para ser vencida. Até mesmo que existe uma incerteza sobre o sucesso de conseguir reverter o quadro, ao menos para alguns países do bloco do euro. Mas, e por isso mesmo, as medidas que estão sendo tomadas são mais profundas e mexem com aspectos anteriormente considerados intocáveis, como o controle de cada país pelo bloco, sempre colocado como perda de autonomia nacional. Mais que tudo é a aceitação, ainda que com ranger de dentes, da redução dos benefícios que os Estados Europeus prestam a seus cidadãos.
A China continua a pretender reduzir sua velocidade de progresso, mantendo ainda altos índices de desenvolvimento. Caso esse crescimento fosse repetido, talvez representasse uma aceleração que poderia trazer consequências desfavoráveis para o povo chinês e que encontraria dificuldade de manter o suprimento de matérias primas para viabilizá-lo. Portanto, não está sendo difícil absorver esta redução, ainda conduzindo a níveis de ser a locomotiva do crescimento mundial.
Já aqui no Brasil, não tememos pelo que a crise possa nos trazer de más consequências: nosso problema é que a oportunidade que está na nossa porta pode ser perdida pela ausência e incompetência de nosso planejamento e implantação de soluções.
Mais uma vez estamos deixando de empreender o que é obvio. Temos oportunidades por não termos a infraestrutura necessária para o progresso que poderíamos criar, nem um sistema educacional que forme quadros suficientes para ocupar os postos de trabalho que precisamos criar. Além disso, o sistema de saúde não é capaz de responder satisfatoriamente nem mesmo nos seus aspectos básicos. Mas, em contrapartida, temos um guloso sistema tributário que engole uma parcela enorme de nossos rendimentos, mas que não devolve em serviços básicos o que a população precisa para ter a tranquilidade de trabalhar motivada. Os serviços de transporte urbano estão longe de serem razoáveis e o tempo e a energia das pessoas são consumidos para enfrentar os meios de deslocamento nas cidades.
Meus amigos, com essas reflexões eu não temo tanto pelo ano 2012, mas não ficaria surpreendido se perdêssemos mais uma oportunidade de chegar a um novo patamar de desenvolvimento que permitisse ao nosso povo ter um padrão de vida compatível com nossos recursos minerais, de energia e de produção agrícola e pecuária.
Além disso, quantos de nossos bons empreendedores estão se dirigindo para a área política, visando o bem estar da sociedade e o progresso econômico sustentável, apoiando as tentativas de melhorar o padrão dos nossos representantes e gestores, driblando as armadilhas dos criadores de dificuldades para vender facilidades?
Será que vamos morrer na praia? Confesso que tenho esperanças, mas não são muito grandes...
Existiam razões objetivas para justificar os temores: as crises europeia e americana, a redução da velocidade de crescimento da China, nossa crônica insuficiência de infraestrutura e de ação para reverter esta situação. Parece que não faltava nada para que 2012 viesse a ser um ano perdido para o progresso ou a evolução do desenvolvimento.
Algo mudou? Com relação aos problemas que seriam potencialmente causadores dos pesadelos de 2012, podemos dizer que pouco. Mas, o que se alterou foi a atitude dos diversos atores.
A crise americana, com coragem e firmeza, está sendo enfrentada e já existe uma percepção de sucesso e de fortes indícios de saída. Quanto à Europa, podemos dizer até que se formou uma convicção de que a crise é profunda e que requer muito tempo para ser vencida. Até mesmo que existe uma incerteza sobre o sucesso de conseguir reverter o quadro, ao menos para alguns países do bloco do euro. Mas, e por isso mesmo, as medidas que estão sendo tomadas são mais profundas e mexem com aspectos anteriormente considerados intocáveis, como o controle de cada país pelo bloco, sempre colocado como perda de autonomia nacional. Mais que tudo é a aceitação, ainda que com ranger de dentes, da redução dos benefícios que os Estados Europeus prestam a seus cidadãos.
A China continua a pretender reduzir sua velocidade de progresso, mantendo ainda altos índices de desenvolvimento. Caso esse crescimento fosse repetido, talvez representasse uma aceleração que poderia trazer consequências desfavoráveis para o povo chinês e que encontraria dificuldade de manter o suprimento de matérias primas para viabilizá-lo. Portanto, não está sendo difícil absorver esta redução, ainda conduzindo a níveis de ser a locomotiva do crescimento mundial.
Já aqui no Brasil, não tememos pelo que a crise possa nos trazer de más consequências: nosso problema é que a oportunidade que está na nossa porta pode ser perdida pela ausência e incompetência de nosso planejamento e implantação de soluções.
Mais uma vez estamos deixando de empreender o que é obvio. Temos oportunidades por não termos a infraestrutura necessária para o progresso que poderíamos criar, nem um sistema educacional que forme quadros suficientes para ocupar os postos de trabalho que precisamos criar. Além disso, o sistema de saúde não é capaz de responder satisfatoriamente nem mesmo nos seus aspectos básicos. Mas, em contrapartida, temos um guloso sistema tributário que engole uma parcela enorme de nossos rendimentos, mas que não devolve em serviços básicos o que a população precisa para ter a tranquilidade de trabalhar motivada. Os serviços de transporte urbano estão longe de serem razoáveis e o tempo e a energia das pessoas são consumidos para enfrentar os meios de deslocamento nas cidades.
Meus amigos, com essas reflexões eu não temo tanto pelo ano 2012, mas não ficaria surpreendido se perdêssemos mais uma oportunidade de chegar a um novo patamar de desenvolvimento que permitisse ao nosso povo ter um padrão de vida compatível com nossos recursos minerais, de energia e de produção agrícola e pecuária.
Além disso, quantos de nossos bons empreendedores estão se dirigindo para a área política, visando o bem estar da sociedade e o progresso econômico sustentável, apoiando as tentativas de melhorar o padrão dos nossos representantes e gestores, driblando as armadilhas dos criadores de dificuldades para vender facilidades?
Será que vamos morrer na praia? Confesso que tenho esperanças, mas não são muito grandes...
quinta-feira, 8 de março de 2012
Educação Empreendedora III
Concluindo nossa intervenção a respeito da EDUCAÇÃO EMPREENDEDORA, abordamos os valores críticos que são encontrados no empreendedor e que uma boa educação empreendedora deve utilizar como seu eixo de orientação e que são os seguintes:
i. Desmistificação do empreendedor – há todo um trabalho de derrubar os mitos existentes sobre os empreendedores e discutir com os alunos quais seriam as características que devem ser valorizadas;
ii. Orientar o empreendedor para realizar sonhos e mostrar as características desse caminho;
iii. Valorizar o fazer e procurar criar situações em o aluno deva trabalhar em equipe e atingir um objetivo – um dos valores a ser desmistificado é o medo de errar;
iv. Mostrar as diversas facetas do empreendedorismo: social, empresarial, de desenvolvimento local, empreendedorismo corporativo ou intraempreendedorismo;
v. Instrumentalizar o empreendedor para planejar, controlar, gerir projetos, tratar de pessoas, vender, se organizar em forma de processos;
vi. Valorizar o exemplo de outros empreendedores através de palestras e de exposições e livros que contem a historia de pioneiros e empreendedores brasileiros.
Assim a educação empreendedora trata também de valores éticos e de cidadania buscando que o empreendedor seja orientado a criar capital social, como a questão tributaria (não sonegar, mas lutar por impostos justos), a questão do valor do trabalho, a valorização das comunidades locais onde se situa a empresa e muitos outros.
Com relação à instrumentalização do empreendedor, compreendendo lhe municiar com conhecimentos, aptidões e atitudes necessárias ao desempenho de suas funções, tivemos:
a. O ciclo de vida de um empreendimento precisa ser bem conhecido pelo empreendedor: desde a ideia do que se pretende e sua visão de futuro, passando pelo processo de planejamento para realizar o projeto e depois os conhecimentos necessários para fazer a implantação do empreendimento a partir de seu plano;
b. Algumas aptidões nesse ciclo de vida podem ser contratadas, mas há outras em que o próprio empreendedor precisa realizar: por exemplo, a transmissão de sua visão e sua capacidade de convencer as pessoas a segui-la; a habilidade de negociar para conseguir estabelecer condições de equilíbrio dos diversos interesses dos participantes dos empreendimentos. Essas aptidões precisam ser desenvolvidas, preferencialmente através de trabalhos práticos;
c. As aptidões que o empreendedor deverá ter em sua equipe e que não serão exercidas por ele diretamente precisam ser coordenadas e orientadas para o resultado pretendido: essa habilidade de liderar o grupo é também essencial ser desenvolvida na educação empreendedora;
d. A educação empreendedora é caracterizada pelo uso de jogos, discussão de casos, trabalhos em equipe e apresentações de temas ou propostas para serem debatidas.
É claro que este tema tem muito a ser tratado e aprofundado, tanto é que anualmente são realizados muitos seminários e congressos a esse respeito. Apenas estes aspectos apresentados ajudam a iniciar uma grande discussão que é necessária para o ensino do empreendedorismo e para a definição do papel das universidades e escolas que estejam lidando com este assunto.
i. Desmistificação do empreendedor – há todo um trabalho de derrubar os mitos existentes sobre os empreendedores e discutir com os alunos quais seriam as características que devem ser valorizadas;
ii. Orientar o empreendedor para realizar sonhos e mostrar as características desse caminho;
iii. Valorizar o fazer e procurar criar situações em o aluno deva trabalhar em equipe e atingir um objetivo – um dos valores a ser desmistificado é o medo de errar;
iv. Mostrar as diversas facetas do empreendedorismo: social, empresarial, de desenvolvimento local, empreendedorismo corporativo ou intraempreendedorismo;
v. Instrumentalizar o empreendedor para planejar, controlar, gerir projetos, tratar de pessoas, vender, se organizar em forma de processos;
vi. Valorizar o exemplo de outros empreendedores através de palestras e de exposições e livros que contem a historia de pioneiros e empreendedores brasileiros.
Assim a educação empreendedora trata também de valores éticos e de cidadania buscando que o empreendedor seja orientado a criar capital social, como a questão tributaria (não sonegar, mas lutar por impostos justos), a questão do valor do trabalho, a valorização das comunidades locais onde se situa a empresa e muitos outros.
Com relação à instrumentalização do empreendedor, compreendendo lhe municiar com conhecimentos, aptidões e atitudes necessárias ao desempenho de suas funções, tivemos:
a. O ciclo de vida de um empreendimento precisa ser bem conhecido pelo empreendedor: desde a ideia do que se pretende e sua visão de futuro, passando pelo processo de planejamento para realizar o projeto e depois os conhecimentos necessários para fazer a implantação do empreendimento a partir de seu plano;
b. Algumas aptidões nesse ciclo de vida podem ser contratadas, mas há outras em que o próprio empreendedor precisa realizar: por exemplo, a transmissão de sua visão e sua capacidade de convencer as pessoas a segui-la; a habilidade de negociar para conseguir estabelecer condições de equilíbrio dos diversos interesses dos participantes dos empreendimentos. Essas aptidões precisam ser desenvolvidas, preferencialmente através de trabalhos práticos;
c. As aptidões que o empreendedor deverá ter em sua equipe e que não serão exercidas por ele diretamente precisam ser coordenadas e orientadas para o resultado pretendido: essa habilidade de liderar o grupo é também essencial ser desenvolvida na educação empreendedora;
d. A educação empreendedora é caracterizada pelo uso de jogos, discussão de casos, trabalhos em equipe e apresentações de temas ou propostas para serem debatidas.
É claro que este tema tem muito a ser tratado e aprofundado, tanto é que anualmente são realizados muitos seminários e congressos a esse respeito. Apenas estes aspectos apresentados ajudam a iniciar uma grande discussão que é necessária para o ensino do empreendedorismo e para a definição do papel das universidades e escolas que estejam lidando com este assunto.
sexta-feira, 2 de março de 2012
Educação Empreendedora II
Continuando o tema EDUCAÇÂO EMPREENDEDORA que iniciamos na semana passada, voltando a nossa apresentação em Fortaleza, passamos a tratar das principais características dos currículos voltados a essa educação e dissemos:
a. As disciplinas que são oferecidas nas principais universidades são: Introdução ao Empreendedorismo (com diversas nomenclaturas e orientações: Atitude Empreendedora, Empreendedorismo I); Plano de Negócios; Marketing Empreendedor; Inovação e geração de ideias; Financiamento de Empreendimentos ou Investimentos em Empresas Nascentes; Empreendedorismo Social; Empreendedorismo Cultural; Empreendedorismo para Desenvolvimento Local; Planejamento e Gerencia de Projetos.
b. As principais universidades têm centros de empreendedorismo ou pelo menos incubadoras de empresas e buscam a associação da área de empreendimentos em projetos com os laboratórios da universidade.
c. Um ponto importante que se tem usado na educação empreendedora é levar empreendedores para fazer palestras e mostrar a carreira de empreendedores conhecidos. Nos primeiros tempos de educação empreendedora, era difícil arrumar empreendedores para fazer as palestras, o que se modificou bastante atualmente com o sucesso do movimento de empreendedorismo no país. Por outro lado, os exemplos que tínhamos para apresentar eram de empreendedores estrangeiros, o que hoje foi inteiramente substituído e muito melhor suprido pelos pioneiros que constam dos livros do Prof. Jacques Markovitch;
d. Em poucas universidades houve a preocupação de associar o empreendedorismo a currículos de graduação de alunos em outras áreas. Uma delas é a PUC-Rio que tem o DOMINIO ADICIONAL, que consiste em dar ao aluno a oportunidade de se graduar uma área e ao cursar certo de numero de suas disciplinas opcionais na área de empreendedorismo, fazendo um projeto final, vai conseguir que seu histórico escolar tenha sua graduação em sua área principal e um domínio adicional de empreendedorismo.
Esta opção permite que o aluno tenha uma educação empreendedora bem abrangente, facilitando o desenvolvimento do planejamento de sua empresa e viabilizando o processo de sua incubação. Por outro lado, para os alunos que não desejem constituir uma empresa ao se formarem, este DOMINIO ADICIONAL valoriza seu currículo de graduação no ponto de vista de muitas empresas contratantes.
Fica então exposta uma situação que tem dois polos contraditórios: por um lado já se consegue identificar Universidades que fazem uma educação empreendedora consequente e que realmente se compromete com o empreendedorismo, oferecendo ao seu aluno a oportunidade de empreender em sua incubadora. De outra parte, a maioria das universidades que possuem apenas uma disciplina de empreendedorismo, ainda assim são uma boa ajuda ao aluno a conhecer o tema e a fazer seu juízo a respeito de como vai se engajar ou não nesta área. Na hipótese que ele fique interessado e motivado, está claro que terá necessidade de buscar o aprofundamento no tema em outra universidade ou instituição.
Vamos concluir este tema EDUCAÇÂO EMPREENDEDORA no blog da próxima semana.
a. As disciplinas que são oferecidas nas principais universidades são: Introdução ao Empreendedorismo (com diversas nomenclaturas e orientações: Atitude Empreendedora, Empreendedorismo I); Plano de Negócios; Marketing Empreendedor; Inovação e geração de ideias; Financiamento de Empreendimentos ou Investimentos em Empresas Nascentes; Empreendedorismo Social; Empreendedorismo Cultural; Empreendedorismo para Desenvolvimento Local; Planejamento e Gerencia de Projetos.
b. As principais universidades têm centros de empreendedorismo ou pelo menos incubadoras de empresas e buscam a associação da área de empreendimentos em projetos com os laboratórios da universidade.
c. Um ponto importante que se tem usado na educação empreendedora é levar empreendedores para fazer palestras e mostrar a carreira de empreendedores conhecidos. Nos primeiros tempos de educação empreendedora, era difícil arrumar empreendedores para fazer as palestras, o que se modificou bastante atualmente com o sucesso do movimento de empreendedorismo no país. Por outro lado, os exemplos que tínhamos para apresentar eram de empreendedores estrangeiros, o que hoje foi inteiramente substituído e muito melhor suprido pelos pioneiros que constam dos livros do Prof. Jacques Markovitch;
d. Em poucas universidades houve a preocupação de associar o empreendedorismo a currículos de graduação de alunos em outras áreas. Uma delas é a PUC-Rio que tem o DOMINIO ADICIONAL, que consiste em dar ao aluno a oportunidade de se graduar uma área e ao cursar certo de numero de suas disciplinas opcionais na área de empreendedorismo, fazendo um projeto final, vai conseguir que seu histórico escolar tenha sua graduação em sua área principal e um domínio adicional de empreendedorismo.
Esta opção permite que o aluno tenha uma educação empreendedora bem abrangente, facilitando o desenvolvimento do planejamento de sua empresa e viabilizando o processo de sua incubação. Por outro lado, para os alunos que não desejem constituir uma empresa ao se formarem, este DOMINIO ADICIONAL valoriza seu currículo de graduação no ponto de vista de muitas empresas contratantes.
Fica então exposta uma situação que tem dois polos contraditórios: por um lado já se consegue identificar Universidades que fazem uma educação empreendedora consequente e que realmente se compromete com o empreendedorismo, oferecendo ao seu aluno a oportunidade de empreender em sua incubadora. De outra parte, a maioria das universidades que possuem apenas uma disciplina de empreendedorismo, ainda assim são uma boa ajuda ao aluno a conhecer o tema e a fazer seu juízo a respeito de como vai se engajar ou não nesta área. Na hipótese que ele fique interessado e motivado, está claro que terá necessidade de buscar o aprofundamento no tema em outra universidade ou instituição.
Vamos concluir este tema EDUCAÇÂO EMPREENDEDORA no blog da próxima semana.
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