sexta-feira, 19 de novembro de 2010

O significado do segundo lugar

Você pensou que o assunto fosse o vice no mundial de vôlei feminino? Foi um belo segundo lugar, mas vamos falar dos resultados da Pesquisa do GEM – Global Entrepreneurship Monitor feita em 2010. Foi apurado que temos no Brasil 19 milhões de empreendedores, o que representa um aumento de 26,6% do que havia sido computado em 2009. Naquela pesquisa o Brasil tinha 15 milhões de empreendedores. Este foi o fato mais comentado durante a Semana Global de Empreendedorismo, que teve um resultado excelente para a divulgação da área.

Como se explica um crescimento tão grande de um ano para outro? Sem dúvida que o esforço das universidades em oferecer cursos de empreendedorismo e das incubadoras, em abrir espaço para a formação de novas empresas, ajuda bastante a ampliar a quantidade de empreendedores.

O Programa Prime da FINEP foi um fator diferenciador: não havia sido feito nenhum movimento de abertura de novas empresas tão grande, num único ano, quanto o provocado pela FINEP. Claro que muitos empreendedores se esforçaram para cumprir as exigências do Prime e conseguiram receber os benefícios do programa, resultando na abertura de cerca de 1.800 empresas.

Talvez o principal agregador de novos empreendedores nessa contagem tenha sido consequência da entrada em vigor da Lei do Micro Empreendedor Individual, ocorrida em julho de 2009. Certamente, estes microempreendedores não estavam em nenhuma contagem, uma vez que não tinham registro como empregados e nem como empreendedores. Isso sem contar que não podiam se beneficiar do seguro social da aposentadoria do INSS e nem eram reconhecidos para o atendimento pelo INAMPS/SUS.

Foi um belo resultado o que o país obteve: maior pelo significado do que pelos números, apesar destes serem muito expressivos. O significado de incluir milhões de brasileiros nas estatísticas é importante, mas melhor é o reconhecimento de seu posicionamento na economia e na vida social do país e esse é o valor adicionado pela Lei do Micro Empreendedor Individual. Já o efeito do Programa Prime da FINEP foi de abrir espaço para jovens empreendedores viabilizarem seus sonhos e este é mais um significado de peso, até mesmo porque se trata de um programa, isto é, algo que todos esperamos que venha a se repetir a cada ano, devidamente aprimorado se houver necessidade.

Observando tudo isso, podemos extrair a palavra chave que inspirou o empreendedorismo brasileiro em 2009 e inicio de 2010: inclusão. Procurou-se abrir espaços para incluir quem tivesse uma contribuição e mobilizasse sua vontade de vencer, cumprindo as regras estabelecidas na seleção da FINEP, ou, obedecendo a requisitos da lei para comprovar sua qualificação ao cadastramento.

Ganha o empreendedorismo, mas o país ganha mais. Convidamos os 11 milhões de empreendedores que foram incluídos a frequentarem nosso blog. Você que nos lê, diga, por favor, a pelo menos um desses empreendedores recém-chegados ao grupo que venha nos visitar. Estamos seguros que quem vier ficará pertencendo ao nosso incrível mundo dos empreendedores que se estimulam e estudam juntos os problemas que o empreendedorismo precisa enfrentar.

sábado, 13 de novembro de 2010

Aprendendo com o esporte.

Esta é a semana Global de EMPREENDEDORISMO de 2010: vamos poder ver muitas apresentações, mostrando feitos importantes de empreendedores brasileiros e até estrangeiros.

É muito bom quando temos analogias para serem usadas no aprendizado de novos conceitos: claro que o exemplo dos empreendedores, que serão mostrados durante a Semana Global, servirá como motivação para quem está precisando de um empurrão para vencer.

Entretanto, queremos usar a analogia como um mecanismo de aprendizagem. O esporte é onde vamos buscar esses traços em comum. Todos assistiram nessas duas últimas semanas a eventos esportivos em que atletas se superaram e mostraram que o sucesso e o fracasso muitas vezes estão separados apenas por pequenos detalhes.

Sabemos que o talento brasileiro pode ser essencial para o sucesso de um empreendedor, mas há momentos em que não basta esta característica, por mais diferenciadora que seja. Lembrem, por exemplo, quando uma empresa está nos últimos dois meses do ano e precisa fechar sua cota de vendas: é um desafio que requer o talento, mas também a competência, a dedicação e todo histórico do relacionamento com os clientes e muito mais. Mas, talvez o que vá fazer a diferença seja a garra da equipe de vendas, lutando para cumprir uma meta difícil e aparentemente acima da sua capacidade.

O comportamento vencedor da equipe de vendas se assemelha muito a de um time de voleibol jogando uma partida decisiva: é muito comum que ao comparar as duas equipes adversárias de uma final, tenhamos a impressão de que há uma diferença muito pequena entre elas. Quem irá vencer é algo quase imprevisível, mas o que se observa na maioria desses jogos é que a garra é que faz a diferença. Isso é uma questão de momento e de atitude.

O empreendedor deve observar com muita atenção o exemplo do esporte: especialmente em nosso país, onde os recursos disponíveis para transformar uma ideia em um empreendimento de sucesso são quase sempre limitados. Caberá ao empreendedor superar as dificuldades e chegar ao sucesso, usando toda sua competência, o que aprendeu nos livros e na vida profissional, especialmente aportando sua vontade de vencer para criar os detalhes que vão fazer a diferença.

Estamos vivendo um momento em que esse fator precisa ser valorizado: um país emergente para ter um progresso rápido deve superar dificuldades estruturais muito grandes. A mão de obra que se encontra fica aquém daquela que precisamos, pois há muitas deficiências no ensino. Os recursos financeiros são disputados por muitas carências, com o governo capturando uma parcela enorme da disponibilidade existente para suprir seu custeio. A sociedade nem sempre aceitará apoiar uma empresa nascente, comprando seus produtos e serviços, pelo risco que estes empreendimentos apresentam. Os investidores, os poucos que são conseguidos, estão apontando os ganhos que poderiam obter com as altas de juros que o mercado paga e com riscos menores do que o empreendedor oferece.

Tudo isso pode ser assustador para quem quer empreender, mesmo com os exemplos positivos que serão apresentados na Semana Global: mas, nossa esperança é que o empreendedor brasileiro seja como um esportista vencedor. Mesmo levando em conta todas as adversidades, continue a empreender e a vencer as dificuldades, pela força extraordinária de sua vontade.

A vontade é a principal característica do ser humano: mais do que a inteligência, essa encontrada em muitas outras espécies. Só o ser humano a tem e que faz toda a diferença.

Apesar de tudo, esta Semana Global encontrará a vontade do empreendedor brasileiro, superando as insuficiências de varias naturezas que tem que enfrentar.

sábado, 6 de novembro de 2010

Implantando uma Empresa, o novo livro da COLEÇÃO DE EMPREENDEDORISMO.

Esta semana estamos comemorando o lançamento do terceiro livro da COLEÇÃO DE EMPREENDEDORISMO – Implantando uma empresa, a partir do Plano de Empreendimento.

Agora estamos com a espinha dorsal da série completa e convidamos os professores e empreendedores para escrever os demais livros da COLEÇÃO.

Sentimos falta de uma obra que trate de empreendimentos culturais, área em que o Brasil poderia gerar muitas ações e empregos com grande sinergia com o talento brasileiro.

Em nossa opinião, existe uma contribuição muito grande que os empreendedores brasileiros poderiam dar em projetos para o desenvolvimento local e regional, integrando múltiplos aspectos e gerando espaços em que as pessoas mudam seu patamar de vida, com aumento da escolaridade, da formação de profissionais, a geração de negócios diversos, ajudando o crescimento do PIB da região atingida, buscando soluções de urbanismo mais humanas, criando habitações seguras e confortáveis para as pessoas.

Serão bem vindos os que propuserem livros nestas e em outras áreas do empreendedorismo, dispondo-se a escrever de modo didático para apoiar as ações de nossos empreendedores.

Agradecemos a todos os leitores que enviarem suas avaliações sobre o nosso novo livro.

Convite:
Convidamos a todos para verem, pessoalmente ou pela Internet, a Exposição “Pioneiros e Empreendedores”, que está no Rio de Janeiro, aberta até o dia 28 de novembro de 2010, no Museu Histórico Nacional. Na Internet você pode ver em http://www.pioneiroseempreendedores.com.br/, site da exposição, num Tour Virtual.
Montada pela equipe do Prof. Jacques Markovitch, da USP, como resultado de trabalho multidisciplinar, utiliza as modernas técnicas encontradas em museus do primeiro mundo.

No link http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1346618-7823-EXPOSICAO+CONTA+A+TRAJETORIA+DE+EMPREENDEDORES+QUE+AJUDARAM+A+MUDAR+O+BRASIL,00.html, há uma reportagem do Jornal Nacional da Rede Globo de TV.
O Instituto Genesis da PUC-Rio está apoiando a organização da exposição, divulgando seu site e as reportagens sobre o assunto.

sábado, 30 de outubro de 2010

REE Brasil – O material apresentado está disponível

A REE Brasil de que tratamos há duas semanas precisa ser revisitada. Agora os trabalhos apresentados estão disponibilizados para todos no site do evento. Você visita o link http://www.reebrasil.org.br/materiais.html e pode ter acesso ao material.

Por exemplo, você poderá ver o que foi dito no Workshop especial: Técnicas de ensino inovadoras pelo Prof. Marcelo Salim, fazendo o download desta palestra e lendo o seu texto. Do mesmo modo, veja o que o Prof. Marcelo Nakagawa mostrou para seus pares com o título de “Innovative teaching”.
Se você quiser saber como andam as pesquisas sobre o empreendedorismo no Brasil, leia o material que foi trazido pelos Profs. Candido Borges, Pesquisador da Universidade Federal de Goiás e Marianne Hoeltgebaum, Pesquisadora da FURB. Nesse item senti até falta do que a Profa. Vania Nassif da Universidade Mackenzie falou no evento.

A professora da Universidade de Virginia, Saras Sarasvathy, falou de sua metodologia, Effectuation: elementos da competência empreendedora. Para se informar a respeito veja em http://www.effectuation.org/.

Enfim, está tudo disponibilizado para quem foi ao evento poder rever e aprofundar alguns aspectos. Para os demais que lá não estiveram, está criada a possibilidade de conhecerem a essência daquilo que foi apresentado.

Noutro dia eu estava em aula descrevendo o que é um Parque Tecnológico e qual a sua importância e me lembrei da apresentação do Prof. Luis Humberto Villwock, da PUC-RS e Gestor de Relacionamento do TECNOPUC, um dos mais importantes parques tecnológicos do país. Sua apresentação está lá no material do REE Brasil 2010: podemos nos preparar para o próximo REE Brasil em Porto Alegre, em 2011, no mesmo mês de outubro, entre os dias 13 e 15. Caros professores de empreendedorismo coloquem em sua agenda de 2011 este encontro especial.

Aos estudantes que frequentam este blog pode parecer que os temas de hoje são dirigidos somente a professores, mas muito deste material pode ser importante para seu caminho no empreendedorismo.

Gostaria de mencionar também um evento importante que ocorreu dia 25 de outubro no CEFET / RJ: foi organizado por alunos da Universidade e para eles apresentado, sob a orientação da Profa. Elizabeth Freitas. O nome do evento: Empreendedorismo verde – abordando novos conceitos. Os mais de 400 estudantes que assistiram e participaram saíram entusiasmados. Parabéns Profa. Elizabeth Freitas pelo belo trabalho de seus alunos que souberam captar sua concepção do evento e transformá-lo em sucesso, de modo tão empreendedor.

Aproveite o feriado para ver todo o conteúdo de que tratamos hoje neste blog.

Não deixe de ir votar: reflita bem antes de decidir como você quer que seja o futuro de nosso país.

sábado, 23 de outubro de 2010

A cegueira não atinge somente os olhos

O empreendedor muitas vezes está numa de fase de grande entusiasmo pelas suas ideias e tende a enxergar seu sonho maior do que realmente aparece para as outras pessoas.
Nesse estado é comum que se tenha convencido de que seu projeto de empreendimento é algo perfeito e sabe dizer, de modo emocionado, todos os aspectos positivos do empreendimento, que o tornam muito importante e mesmo essencial.
Sob o ponto de vista da emoção, necessária para o sucesso do empreendedor, este sentimento sobre o seu empreendimento é bastante saudável e até mesmo ajuda a conseguir apoio de seguidores e apoiadores.
Entretanto, o empreendedor deve tomar cuidado com a cegueira, aquela que não atinge os olhos, mas a que contamina a mente. Esta cegueira é que faz que pessoas inteligentes e cultas muitas vezes se coloquem numa posição em que não são mais capazes de considerar e entender objeções ou até meros avisos sobre riscos e dificuldades a serem enfrentadas.
O processo educacional, muitas vezes, até desenvolve nos empreendedores uma habilidade de parecer que estão levando em conta o que é dito por quem critica aspectos ou simplesmente aponta fraquezas de seu empreendimento, mas no fundo a atitude desses empreendedores quando tomados da cegueira mental é apenas mais sofisticada, parecendo aceitar a critica, mas na realidade se colocando em posição defensiva, parecendo ouvir, mas tendo apenas a preocupação de defender a cria.
Os empreendedores não são os únicos seres que adotam por vezes uma posição de cegueira mental. Isso é também característica de todos nós, seres humanos que se apaixonam por ideias e convicções e que nos colocam numa posição de incapacidade de considerar as objeções com inteligência, tomando-as como colaboração e avaliando as possibilidades de melhorar os planos, em face das observações recebidas.
A inteligência do empreendedor também compreende esta atitude receptiva ao recebimento de criticas, propostas de melhorias, advertências sobre riscos. A pobreza das posições maniqueístas, onde um lado é o único certo não é um caminho aceitável para quem pretende trabalhar com a colaboração de uma equipe.
Empreendedor: aprenda a ouvir e avaliar todas as ideias e observações, por mais criticas e duras que sejam; não aceite a cegueira mental como linha comportamental.

sábado, 16 de outubro de 2010

REE Brasil

A REE - Roundtable on Entrepreneurship Education é um evento para professores de empreendedorismo analisarem formas de ensino que possam ser mais eficazes para a aprendizagem dos alunos. Foi criado pela Stanford University na Califórnia, tem edições para os Estados Unidos, a América Latina, a Europa, a Ásia e o Oriente Médio. Pela primeira vez, um país fora dos Estados Unidos faz uma edição nacional e isso ocorreu no Brasil, em Águas de São Pedro, estado de São Paulo, pela eficaz parceria da Endeavor, do SEBRAE e do SENAC.
Certamente foi o melhor evento para professores brasileiros de empreendedorismo que até agora não tinham tido uma oportunidade tão importante para a troca de suas experiências, discussão de dificuldades e alternativas para vencê-las no processo de formação de empreendedores e na geração de novos e saudáveis empreendimentos.
Vieram abrilhantar nosso evento duas professoras de universidades americanas excepcionalmente brilhantes: Theresa Lina Stevens do Stanford Technology Ventures Program (STVP) e Saras Sarasvathy da Darden Business School da Universidade de Virginia.
Podemos dizer que foi impressionante a quantidade de professores brasileiros que vieram participar, mostrando a pujança e o crescimento do ensino de empreendedorismo no país e a grande dedicação dos professores em pesquisar e buscar novos métodos e caminhos para formar melhores empreendedores e gerar mais empreendimentos inovadores.
Foram representantes de universidades de vários estados brasileiros do Piauí ao Rio Grande do Sul, que trouxeram inúmeras contribuições para os participantes, com relato de experiências inteligentes que ampliam a qualidade do ensino de empreendedorismo no país.
Foi também atribuído pela primeira vez o Prêmio Educação Empreendedora como um estímulo e reconhecimento das entidades patrocinadoras do REE Brasil de trabalhos e experiências relevantes de professores. Este primeiro premio foi para o Piauí, mostrando a valorização pelo resultado obtido por um jovem professor de Picos, cidade que fica a 200 km da capital Teresina.
Foi tão rico o ambiente, os trabalhos apresentados e os resultados alcançados neste REE Brasil que pretendemos trazer outros tópicos para nosso blog e para isso convido os participantes que os apresentaram a me escreverem com textos para serem postados, descrevendo de modo sucinto o que apresentaram no evento. Estou contando com vocês.

sábado, 9 de outubro de 2010

Modelo de negócios

Um empreendedor não deve imaginar que sua empresa vende como todas as suas similares: não se trata da quantidade ainda, mas a forma de apresentar seus produtos e conseguir ganhar dinheiro com eles. É o que se chama de modelo de negócios.
Conforme o modelo de negócios, vamos trazer ou afastar vendas e estaremos optando por um caminho que pode ser de sucesso ou fracasso. Os conservadores poderão dizer que para evitar o risco é melhor vender com os demais concorrentes. Isso nos leva ao Oceano Vermelho, invariavelmente.
Devemos então buscar um diferencial no modelo de negócios e analisar com cuidado que fatia do mercado queremos conquistar, tanto sob o ponto de vista qualitativo como quantitativo. A escolha de um nicho onde tenhamos conhecimento do que os clientes querem e precisam pode significar o abandono de outros segmentos de mercado, mas vai nos assegurar maior capacidade de atender aos clientes de uma maneira exclusiva.
Para um país jovem como o nosso, existem muitos nichos mal atendidos: é importante saber caracterizá-los e criar o conhecimento na empresa para criar soluções altamente inovadoras e competitivas. Outro aspecto é que cada nicho pode ter um forte potencial para crescer e se constituir em verdadeiros Oceanos Azuis para quem os elege.
Financiamento é outro ponto importante para conseguir clientela: se pudermos fazer nossos clientes nos pagarem com o que ganham pela adoção de nossas soluções, estaremos também conseguindo ser muito atraentes. Muitas vezes isso se consegue pela simples associação da nossa receita ao lucro do cliente produzido pelas nossas soluções.
O modelo de negócios é definido no inicio da elaboração: vale a pena refletir bastante nesse aspecto antes de ir adiante à formulação do plano do negócio. Teste o seu modelo de negócios para ver como vai funcionar e corrija o que for necessário.